Religião Cristã e Ideologias Políticas, nossa fé na religião e na política

 

Religião Cristã e Ideologias Políticas

O cristianismo é uma religião excludente, há um só caminho. Muito diferente de algumas religiões inclusivas como a tradição hindu. Por causa do movimento ecumênico algumas vezes o catolicismo é chamado de inclusivo, mas acho essa denominação inadequada.

Cristianismo e ideologia politica
homem branco, bandeira do Brasil nas costas, em frente ao planalto, texto “cristianismo e ideologia política

Essa exclusividade tem como um de seus efeitos a “certeza salvífica”, ou seja, a ideia de que a pessoa está salva por estar trilhando o “caminho correto”. Mas as vertentes cristãs têm uma característica interessante, cada grupo aplica a ideia de exclusividade a si mesmo ou a uma divisão menor dentro do próprio cristianismo e exclui todo o resto. Um exemplo, alguns grupos de igrejas pentecostais aceitam que pessoas de outros grupos com doutrinas similares possam ser salvas, mas excluem todos os outros. Dificilmente um cristão do “pentecostalismo de periferia” (periferia do movimento evangélico) com um sistema radical de usos e costumes vai aceitar que um católico ou um protestante tradicional possam ser salvos. Em geral grupos de cristãos tratam outros grupos como “seitas”.

Essa certeza pessoal leva a pessoa a acreditar que a forma como ela interpreta a fé, ou seja, como seu grupo interpreta, é a “correta”, ou como costumamos dizer, a “fé ortodoxa”. A lista de crenças, os dogmas daquele grupo, expressa supostamente uma realidade cristã que remonta aos primeiros discípulos e, por extensão, ao próprio Cristo. Quem conhece a nossa história sabe que os cristãos passaram a maior parte do tempo brigando por minúcias e “anematizando” (excomungado ou amaldiçoado) uns aos outros.

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Atualmente esse movimento tem sido atenuado por uma espécie de “equilíbrio” das crenças cristãs ocasionado em grande parte pelo consumo multilateral de material entre as diversas vertentes. Entenda aí música, pregações e literatura.
Pois bem, o fenômeno não é exclusividade do cristianismo, e tenho visto as mesmas coisas se repetirem dentro dos grupos ideológicos. Durante muito tempo isso foi meio misterioso para mim, mas ocasionalmente entendi que o FERVOR manifestado por esses grupos, embora pretensamente “secular”, é FERVOR RELIGIOSO.

Como é que eu não reconheceria algo tão familiar para mim mesmo? Esses grupos têm líderes messiânicos cujas palavras viram lei assim que são ditas. Têm “listas de crenças aprovadas” que são seguidas com tanta fé quanto um cristão católico crê na Trindade ou na imaculada concepção de Maria. Por isso tão pouca crítica “INTERNA” (dentro do círculo do grupo) e tanta demonização do contrário. Cada pessoa acredita que aquele sistema é a VERDADE, única verdade possível, mesmo que paradoxalmente fale em ‘relativismo” (que é ao seu modo uma espécie de absolutismo). É claro que existem pontos em que um grupo pode estar certo e outro errado, mas estou falando do quanto aquilo é importante apesar da sua veracidade ou não.

Veja, na crença a pessoa busca por um SENTIDO (teologia), e uma vez encontrado, ele passa a definir todo o resto. Numa denominação evangélica a pessoa encontra tudo o que socialmente precisa. A Igreja sob muitos aspectos nos ABSORVE totalmente. Ali encontramos uma família, uma série de atividades, uma esperança, uma utopia futura, um senso de justiça e uma lista de comportamentos aprovados, além de um inimigo claro com quem lutar. Aliás, a metáfora da LUTA é a que mais usamos.
As ideologias políticas são a sublimação das aspirações religiosas. E um ótimo consolo para pessoas que pretendem estar livres da superstição, mas continuam humanas, e portanto religiosas por essência.

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Isaías Oliveira