Os influenciadores

Sobre cuidar das nossas referências, performar nossos valores e entender quem são nossos influenciadores

Os influenciadores precisamos cuidar das nossa referencias

Precisamos falar sobre quem são os influenciadores afetam nossas vida:
Somos uma espécie muito dependente de hierarquias. Desde a infância buscamos “líderes” naqueles que se destacam de algum modo, positivo ou não. É natural os meninos terem um “menino-alfa”, que é aquele que sempre é nomeado. É “ele” e os outros. É mais ou menos assim até nossa entrada na vida adulta. Entretanto a função hierárquica nunca some, ela só vai mudando com o tempo.

A função de liderança é natural, e nem sempre obedece aos ditames formais. Numa equipe o líder pode ser diferente do chefe, um comanda pela “norma”, outro pelo carisma. O segundo, entretanto, sempre tem uma influência muito mais abrangente.

Mas temos um problema sério com os influenciadores: eles nem sempre têm plena consciência de sua importância. Em muitos casos assumem essa liderança como um prêmio psicológico. Sentem que isso faz deles pessoas mais importantes, e invariavelmente esquecem que isso lhes traz uma enorme responsabilidade, pois eles imprimem “normas sociais” de comportamento nas pessoas que são por eles influenciadas.

Há funções ligadas a profissões e posições sociais que são mais influenciadoras que outras: os familiares, com posição central dos pais; os líderes religiosos, principalmente de grupos com tradição comunitária; os professores e pessoas ligas à educação em geral; os policiais em maior grau, seguidos por todos os que estão de algum modo ligados à segurança ou usam uniformes que lembrem esse tipo de autoridade; os políticos; artistas de “performance” (cantores, atores, etc); e ultimamente os “digitais”.

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Essas pessoas “moldam” a sociedade, por isso é devastador quando eles não têm consciência disso. Cito aqui como exemplo uma professora defecando sobre a imagem de um político, o policial que trata as pessoas sem civilidade, o político com um discurso de honestidade que está sempre metido em falcatruas, assim como artistas que não respeitam as leis e que defendem práticas ilegais.

O momento atual é ainda mais grave, porque fatores históricos de controle social como a família, a escola e a religião estão enfraquecidos. Nesse sentido, o influenciador mais próximo será a força dominante. Somos como outros animais, reproduzimos o comportamento do líder porque isso se torna “norma social” e fator de prestígio. Ações e pensamentos são moldados por esse guia, e práticas socialmente destrutivas passam a ocupar a posição central nas relações, em vez de ocupar as “fronteiras”, os “perímetros externos”.

Vícios como o alcoolismo, o tabagismo e o uso de drogas ilegais aumentam na medida em que são hábitos dos influenciadores. E o desvio passa a ser “legal” amparado no discurso. Entretanto lembro que muitas pessoas com um discurso “forte” acabam chocadas com a reprodução deles na vida das pessoas.

Portanto uma sociedade melhor passa pelo “aparecimento” de influenciadores melhores que tenham consciência de sua função e exerçam isso de modo “ostensivo”.

Você, pai ou mãe, deve entender que seus hábitos serão as primeiras diretrizes nas relações de seus filhos. Se você se embriaga, se droga ou é desonesto na frente de seus filhos, é muito provável que eles vão reproduzir isso. Mudar a sociedade, portanto, é mudar seus hábitos, e dar ao mundo cidadãos melhores nos seus filhos. Assim devem pensar professores, pois alguns deles internalizaram demais a ideia de que a família é que educa. Eles por sua posição também influenciam e muito. Assim são os policiais e os políticos, funções de pedagogia social por excelência.

E assim é você que exerce esse “poder” sobre os outros. Conscientize-se disso, e “performatize” suas ações de acordo com os valores que você defende. Esse é o primeiro passo para um mundo melhor.

Dica incrível de leitura para um bom ponto de partida:
Issaaf Karhawi jornalista e doutoranda da USP escreveu mais a fundo sobre os influenciadores digitais em seu artigo

Influenciadores digitais: o Eu como mercadoria

Isaías Oliveira

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