O que você precisa saber sobre a vida? Sentido e Significado Existenciais

Buscamos o sentido da vida do momento em que nos percebemos como indivíduos até o final da nossa jornada.

Buscar sentido e significado existenciais é o que nos define como humanos!

Muitas pessoas acham que sua existência obedece a algum tipo de desejo transcendente. Elas existem por desígnio superior e nisso acham significado para suas vidas. Outras, um grupo bem menor, acreditam que a existência humana é o produto fortuito de uma série de eventos não direcionados e que, por isso, não existe significado para ela fora da realidade material.

É claro que esses dois tipos não resumem tudo. Há pessoas que gravitam entre esses pontos: crentes que duvidam da sua fé, quando seria de se esperar que mais se apegassem a ela; e materialistas convictos que veem tanta beleza no mundo e surpreendem-se tanto com essa capacidade de apreciar , que possuem algo que só poderíamos definir como espiritualidade.

Todo ser humano evoca esse algo mais em algum momento. Como dito, isso não significa que ele seja uma realidade mágica além das fronteiras dos sentidos e apenas acessada pela fé. Porque se fosse assim, seria difícil explicar como pessoas com visões materialistas possuem essa capacidade para se deslumbrar, nesse sentido sublime.

O deslumbramento é fruto de uma mente com capacidade de ver além, mas também de voltar-se para si e contemplar a sua própria capacidade de contemplação. O mundo então torna-se um reflexo da mente que o observa ou, melhor dito, no mundo projetamos uma realidade coerente com a nossa própria aspiração produzida pelo encontro do espectador-mente com o objeto-mundo.

A mística do universo é que ele se torna um espelho da alma. Os olhos que contemplam além do véu observam a si mesmos. E mesmo aí continuam projetando uma realidade conceitual sobre outra que é também um produto. Esse talvez seja o tudo e o nada dos místicos.

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Teleologia da existência e a busca por sentido e significado existencial

A mística dos sentidos exige uma teleologia da existência. A contemplação da ordem da mente-mundo, mesmo quando manifesta em desordem, mas coerente ainda com a existência, quase nos obriga a achar que não existe acaso em ser. Assim buscamos um sentido e projetamos um significado na nossa existência.

Entretanto nem sempre há constância nisso, e vez por outra somos confrontados com a falta de coerência nos acontecimentos da vida. Investimos pesado em projetos que acabam em nada, em relacionamentos que nos magoam e se tornam cicatrizes dolorosas nas nossas lembranças. Pelo caminho perdemos pessoas queridas, somos açoitados pelas vilezas humanas e nos encolhemos envergonhados ao perceber também podemos ser promotores do mal.

Afundamos em dúvidas. Mas mesmo no caos necessitamos da retórica teleológica e criamos significado na desgraça. O sofrimento purifica, nos torna melhores, purga os pecados passados, limpa as vidas que se foram. O açoite serve para nos lembrar que somos mais que máquinas orgânicas orientadas pelo egoísmo dos genes.

Nós, espécie humana, utilizamos (do passado até agora e na realidade individual) muito da nossa capacidade, lidando com esses problemas. Produzimos religião, filosofia, arte e ciência para lidar com nossa ansiedade existencial. A urgência vem da fatalidade da existência, nós morremos. Como algo tão sublime pode simplesmente deixar de existir? Mas o universo aí está com seus ciclos infinitos. Nosso corpo participa deles, mas e nossa cognição? Sim, ela flui para uma realidade superior ou retorna para um novo ciclo aqui mesmo.

As estações vão e vem, e a natureza morre e renasce, murcha e se renova. A ciência, quando lida com a existência, ainda tem na ideia do devir o influxo do desejo de continuar existindo. A continuidade é vista como a sublimação da imortalidade da alma. O que o religioso e o não-religioso querem? Continuar existindo, mas não com o mesmo tipo de existência, cheia de contradições que possuem agora. A vida lá na aurora da aspiração é pura, isenta de contradições. Essa estrada dourada, porém imaginária, é o caminho da utopia.

E da religião, filosofia, arte e ciência, a aspiração se torna política. A ordem projetada no mundo é o modelo pelo qual também o mundo pode ser reprojetado. O idealismo político é a fé na realização de um mundo melhor que não está depois do arco-íris, mas deve ser construído aqui e agora. E aí ainda mora o devir, porque tal realização pode custar mais do que se pode dar sem perder tudo, a vida. Que lógica há em se construir um mundo em que não se estará lá para usufruí-lo? Mas é exatamente o antegozo das coisasalém o combustível de tudo isso. Pois se a coisa saiu daqui mesmo, já se está nela quando se deseja lá estar.

A busca por significado e o paradoxo da realidade

O paradoxo disso tudo é que realmente nunca alcançamos nada. A nossa percepção é sempre um ponto no passado. Estamos acostumados com o pensamento de que quando contemplamos as estrelas distantes, é uma imagem do passado que estamos vendo. O sol que vejo é o sol como era oito minutos atrás. Andrômeda é um borrão de 2,5 milhões de anos no passado. Mas pouco atinamos para que essa é a realidade para tudo o que vemos.

A visão da pedra no meu caminho é a visão da pedra milissegundos atrás, quando a luz com sua imagem atingiu minha retina e impulsos elétricos formaram uma imagem dela na minha cabeça. Sou um ser com olhos no que já foi, nunca experimentando o agora imediatamente. E mesmo assim toda minha reação está no futuro.

Há um lapso, por pequeno que seja, entre a minha intenção e sua concretização em ato. E de novo isso é evidente para as coisas que planejo para daqui a uma semana, mas não para a palavra que digito nesse teclado, e ambas participam dessa realidade projetada que é o devir. O reino onde realmente habito é um limbo de imagens borradas e meros fragmentos de informação. Eu construo meu mundo desse material tão tênue, e o resultado é sempre sublime. Por isso um ser é um mundo. O milagre não está em que existimos, mas no fato de cogitar sobre isso.

Assim retornamos ao primeiro parágrafo e, embora muitas respostas sejam dadas para nosso dilema existencial, talvez nossa resposta, como exemplifica nossa realidade projetada, esteja no fato único de que contemplamos o que nos cerca e nossa realidade interior. É essa capacidade que torna possíveis sentido e significado.

Então a meta, sem desconsiderar uma realidade transcendente, se descortina pelo simples fato de que um ser assim veio a existir. Acidente ou volição não importam mais, pois sendo, eu alinho passado pela percepção e devir pela aspiração. Porque reconheço que o que vejo é a beleza que eu mesmo criei. O mundo pode estar lá com toda a multiplicidade, e ainda estará depois que eu me for, mas apenas no nosso encontro ele se torna místico. Pareidolia metafísica ou self-panteísmo? É difícil dizer, mas certamente entendo desde já que sentido e significado só podem ter uma direção, a que eu tomar.

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Isaías Oliveira

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