O sentido do toque: O toque nos faz humanos

O sentido do toque

Beijar, abraçar, cumprimentar, dar um aperto de mão ou mesmo um rápido tapinha nas costas. Tudo isto é toque, o mais poderoso meio de criar relacionamentos humanos.

É comum só percebemos a importância de algo quando somos privados daquilo. Impedido de estar próximo e tocar as pessoas por causa do Coronavírus me dou conta sobre como subjugamos o toque e o seu papel na formação e desenvolvimento do ser humano e de uma sociedade.

O TOQUE NOS FAZ HUMANOS

A pele não só é o maior como é o primeiro órgão vinculado aos sentidos do ser humano a se desenvolver, inclusive ela é responsável por envolver os órgãos dos outros sentidos tradicionais: visão, audição, olfato e paladar. Não será fácil, mas é possível uma pessoa sobreviver sem os olhos ou orelhas, mas é completamente impossível sem a pele.

O antropólogo e humanista Ashley Montagu (1905-1999) apresenta diversos estudos e experiências que confirmam que após o nascimento o toque é essencial para o recém-nascido. Aqueles bebês que experimentam mais contato físico aumentam as suas capacidades mentais e aqueles que são privados do toque na infância desenvolvem problemas comportamentais. Ou seja, o toque nos torna humanos.

A partir do toque que recebe o ser humano desenvolve a sua relação com o mundo e isto reflete a percepção que cada indivíduo tem sobre si mesmo e sobre o outro. Por isso, devemos ser tocados e acariciados, não só quando bebês, mas durante toda a vida.

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O TOQUE NA QUARENTENA

No teatro e na dança não dizemos que o corpo tem memória, dizemos que o corpo é memória. Quando se movimenta ele combina informações sensoriais e cinestésicas do passado com o que acontece no presente.


Nesse momento de isolamento social é essa capacidade do corpo que quero destacar, esta habilidade possibilita com que ocorra um “contato físico-imaginativo” através de associações com coisas do passado. Vários estudos da neurociência demonstram que ao resgatar na minha memória, por exemplo, imagens de uma cidade que visitei, é possível que as minhas sensações corporais sejam extremamente vivas, como se estivesse revivendo a experiência.


Por isso, mesmo com a distância não esqueçamos do toque, mesmo que seja através do “contato físico-imaginativo”. Quando digo para alguém com verdade e intenção “Vamos manter contato”, isto não é uma simples metáfora, ela tem um papel importante para a humanidade nos dias de hoje. Através dessa perspectiva imaginativa do toque a pele deixa de ser um limite (visto do exterior) para se converter em meio para moldar o mundo e manter relações com quem amamos.


Além disso, não pense no toque apenas como um meio de se relacionar com o outro, mas como um caminho de relação consigo mesmo. Não apenas mergulhe na forma de interação que as telas dos nossos computadores, tablets e celulares nos proporcionam.
Se toque, se acaricie! Faz tempo que não abraça alguém? Então se abrace.

Isaías Oliveira
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