A sociedade antiga era bem mais sexualizada – descubra o porquê!

Não, o título não é uma ironia. É exatamente o que eu disse: a sociedade antiga era bem mais sexualizada que a atual.

                “Mas as pessoas andavam com roupas que cobriam mais o corpo! As mulheres se casavam virgens! Não se falava abertamente sobre sexo como se fala hoje! Não existia pedofilia, “ficar”, sexo com mais de duas pessoas e fora do casamento, e outras obscenidades! Como você pode dizer um absurdo desses?”.

                Vamos por partes, querido boomer.

A sociedade antiga era bem mais sexualizada? Freud diria sim!

                Com Freud, aprendemos que a sexualidade muitas vezes se apresenta de maneira sutil, não literal, “latente”, usando um termo bem freudiano. Não é necessário nem utilizar palavras, gestos, ou roupas que remetam diretamente a sexo, para entendermos que esse é o assunto tratado. E, como sexualidade é muitas vezes feita de mistério, muitas das coisas são propositalmente veladas, reprimidas, não em nome da moral, mas na verdade para satisfazer a um fetiche.

                Sim, porque a ideia de castidade e pureza não passa de um grande fetiche sexual (além, é claro, de dar uma garantia maior ao homem de que os filhos do casamento seriam dele, em um tempo em que não existia exame de DNA). Atos que hoje parecem um tanto banais, como sentar de pernas abertas, mostrar o tornozelo (os caras ficavam excitados vendo o TORNOZELO das mulheres, tem que ser muito pervertido pra isso!), sair sozinha na rua, apresentar-se em público, tomar a iniciativa de conversar com um homem, abrir a janela e ficar olhando para fora (esse último é baseado em fatos reais, contado a mim pela minha falecida avó), eram sexualizados, fazendo o “produto” perder o “valor de mercado”.

Se a moça fazia qualquer uma dessas coisas com frequência, já era vista como “perdida”. Ou seja, a sexualização estava muito, muito mais presente, mesmo nos aspectos mais banais da vida de uma mulher, em coisas que hoje não são mais vistas como mais sexualizadas (pelo menos não na sociedade moderna ocidental).

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A celebração a castidade

                A festa de debutante, por exemplo, era um jeito de dizer, nas entrelinhas, “minha filha está pronta para transar”; por trás de toda uma imagem de pureza, que servia para “valorizar o produto”, existia a necessidade de mostrar a moça para o mundo como um objeto sexual completamente formado, disponível para o melhor pretendente.

Claro, isso não podia ser feito pela voz da própria moça, mas sim pelo seu pai (lembrando que a primeira valsa é dançada com o pai), pela sua família toda, por isso a festa. E o casamento era celebrado como se todo mundo pudesse ver que “minha filha está transando, mas sem perder o valor moral”.

Esse “não perder o valor” na verdade se trata da castidade transformar a mulher em um objeto de conquista, em um Santo Graal difícil de ser alcançado, não disponível para as mãos de qualquer mortal, que ao ser conquistado glorificava o distinto cavalheiro. Porque se a mulher era “fácil”, ela perdia o ar de “troféu de guerra” quando era conquistada, o que estragava a brincadeirinha de faz de conta dos homens. “Não perder o valor” significa, na verdade, “não perder a sua posição de fetiche sexual desejado”. Vale lembrar que o objetivo maior de uma mulher nos tempos antigos era casar.

 Até o nome e o jeito de ser tratada da mulher mudavam com o casamento. Antes da primeira relação sexual, era “Senhorita”, e a mulher tinha o sobrenome do pai; depois da primeira relação sexual, era “Senhora”, e o sobrenome passava a ser o do marido. Vejam o impacto que o sexo tinha na vida de uma mulher, mudando seu próprio nome, sua forma de ser vista no mundo!

Fora isso, é bom lembrar que coisas como prostituição e sexo em grupo sempre existiram (bacanais da Roma antiga mandam lembranças), e a pedofilia era quase que “legalizada”. Era comum ver meninas de 13, 14 anos se casando ou ficando noivas de homens de mais de 30. Ou seja, o sexo não só era presente em vários momentos, mas desde cedo. O mundo não está se sexualizando mais; a sexualidade está tomando outra forma menos “sublimada”. O objetivo é não deixar o sexo nos objetificar, qualquer que seja nosso gênero e orientação sexual.

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Petra Schindler

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